13.2.08

Bárbara

Diz-se de alguma coisa que ela é "bárbara" quando extrapola os limites de nosso entendimento, é fantástica, grandiosa e merecedora de respeito.

Na origem bárbaro era todo aquele que não falava a língua dos "civilizados", o grego e, posteriormente, o latim. Em suma, os homens das culturas clássicas achavam bárbaros todos os outros seres humanos. Mas não era no mesmo sentido acima...

O termo ganhou a pior conotação quando vieram as invasões bárbaras. Roma caiu, lá pelo século IV, e a humanidade foi agraciada com a amabilísima idade média, quando todo mundo virou bárbaro no sentido popular da palavra. Perdeu-se uma enorme quantidade de avanços e sabedoria nas fogueiras da ignorância e do fundamentalismo. Não fossem os bárbaros na arábia e no oriente distante, a civilização teria colapsado.

Passam-se muitos anos e a idéia xenofóbica de bárbaros versus civilizados é repetida milhões de vezes na boca de governantes temerosos de fazerem feio se não tiverem um inimigo fora do país para mostrar serviço. É, se você lembrou dos caras lá da parte norte do mapa americano, é uma pessoa minimamente inteligente.

Mas a barbárie não está fora. A barbárie está em cada pessoa que passa o sinal vermelho, suborna o guarda de trânsito, compra madeira de floresta protegida sem ligar para isso, joga papel no chão, compra filme pirata, não vota direito e fecha a cara para crianças.

Já ouviram "Ah, faz também, todo mundo faz!". Eu já, milhares de vezes. Da televisão, centenas. De pseudo-amigos, outras tantas. De gente na rua, muitas.
Tomei uma decisão. Não vou ceder à barbárie. Não sou todo mundo. Vou aceitar o preço de ser civilizado, não obstante a incapacidade da maioria de, por enquanto, ser guiada por suas civilidades e não por suas barrigas e hormônios. Isso vai ser um ponto que vai tornar minha vida um pouco mais merecedora de cautela em seus atos práticos.

Mas se quero uma vida Bárbara, assim precisa ser. Eu gosto de como vai ser meu futuro sendo deste jeito.

3 comentários:

Adriano C. Tardoque disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriano C. Tardoque disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriano C. Tardoque disse...

PARA UM DESCENDENTE AZEDO DA DOÇURA DOS BÁRBAROS

Doces foram todos os Bárbaros...
Outrora filme de novos baianos.
Outrora repúdio dos homófobos paulistanos.
Num salto voltando no tempo, quão belo foste, ó pagão!
E quanta influência tiveste, neste vasto mundo cristão!
Sunday é o Deus Sol, no calendário do Anglo-Saxão.
Monday dará muito trabalho, nos feudos da nossa razão.
Mas quem afinal são os bárbaros, nesta ou noutra ocasião?
Bárbaros talves sejam aqueles, que não tem coisas bárbaras no coração.

Disponível também em: http://pescadordepensamentos.blogspot.com