22.9.08

Da saudade de tempos não vividos...

O título também é um pedido de desculpas pelo sumiço, ó leitor.

A enorme torrente de novidades dos últimos tempos tem tomado um tempão de mim, e estranhamente, como na maioria da humanidade, isso traz lembranças e correlações bizarras com o passado. É aquele momento de empacotar certas coisas de antes e encontrar a gaveta a que elas pertencem.

E claro, de colocar certas coisas do passado no presente mas em compartimentos diferentes da atualidade. Isso implica em entender esse pedaço de vida e dar novo significado a ele.

Estou em plena crise por cinema causada pelo canal de filmes clássicos e pela descoberta de uma maluca internética (que fez o glorioso favor de fazer DVDs com filmes jamais lançados comercialmente neste formato), alavancada pela redescoberta do bom e velho "Ivan", e me deparo com uma súbita ânsia de criação. Não só de criação de filhotes ou de escrever loucamente, mas de criar fatos e novidades para mim mesmo. E isso aparece graças ao maravilhamento único do (bom) cinema...

Minha lista de filmes recém-assistidos nos últimos tempos é uma mistura de sessão da tarde com genialidade. "As sete faces do Dr. Lao", "As montanhas da Lua" e "Rocketeer" são alguns deles representativos para o texto.

E em todos estes há o saudosismo por uma época não vivída por ninguém que os assistiu. A era vitoriana de "Montanhas da Lua", onde viveu o mais fantástico de todos os cientistas de seu tempo, Sir Richard Francis Burton. Darwin pode ter sido o maior gênio, mas a biografia dele nos faz morrer de sono a maior parte do tempo. A de Burton, dá no mínimo uma série de dez filmes com produções iguais às de "O senhor dos anéis", sem ser preciso acrescentar uma única cena fantasiosa para ter ação ininterrupta.

E ele é um cientista dos meus modelos de vida. Como Cousteau, os irmãos Villas-Boas ou Augusto Rusch, ele viveu suas descobertas, as transformou em novos paradigmas e abriu caminhos para a modernidade e uma ciência completamente nova.

"Dr. Lao" fala do velho oeste, mas de um velho oeste mítico mesmo, com personagens mitológicos atravessando o deserto para mudar a vida de mundanos pioneiros. É memorável, e ninguém se lembra deste filme! Corrijam a injustiça, vós conhecedores dos filmes bons, eu juro que faço uma cópia para vocês até a maldita MGM e seu leão covarde ter coragem e lançá-lo com toda a pompa e cirscunstância merecida.

O oeste nunca me fascinou. Milhões de crianças babavam para ser Billy the kid, e eu estava ligado nas aventuras de Jacques Y. Cousteau. Mas eu entendo a criançada. O velho oeste é um lugar onde tiros resolvem o crime, onde injustiças são punidas imediata e eficazmente, e pode-se ser pistoleiro solitário sem mãe para dar bronca.

Não fosse a violência, alguns diriam que o velho oeste foi o primeiro gênero Nerd do cinema, pois é o escapismo na sua forma mais pura. Quem conhece o gênero pelos sérios filmes atuais, não costuma se lembrar que a fama se devia aos tiros contínuos contra os bandidos e pelo duelo ao fim da tarde, e não aos sérios questionamentos morais de "Os intocáveis" ou "Sangue negro".

"Rocketeer" é a exceção nesta lista. Há testemunhas vivas de seu período. Mas é um filme feito para um público muito mais novo. A ação se passa naquele mesmo período de Indiana Jones, com a ameaça nazista pairando sobre a América e blá blá blá.

Apesar da falta de fidelidade ao quadrinho que lhe deu origem, é um filme divertido, e eu tenho algo com os anos quarenta, uma fascinação Boggartiana com mulheres fatais e sobretudos, além de big bands mandando ver com Cab Calloway. Embora desejasse mais do que tudo ter visto de perto as maravilhas dos anos sessenta em Woodstock, meu saudosismo de vidas-não-lembradas fica na dúvida sobre nascer ou estar com vinte anos em 1945.

E tem Jennifer Connelly.
Jennifer Connelly é a musa suprema. Quando ela apareceu em "Labirinto", aos meros 15 anos, eu tinha 11 e uma paixão impossível. Quando vi "Rocketeer", com ela no papel inspirado na Betty Page (só nos quadrinhos, a produção da Disney trocou o estilo Pin-up poderosa pelo angelical no filme) já não sonhava com ela todas as noites, mas certamente me deu mais gosto pela época.

Deusas de olhos verdes, 1,70 de altura, cabelos castanho claros, queixo delicado mas forte e com pele cor de mármore marcam a vida. Coincidências não existem...

Mas preciso terminar isso aqui ou vou perder o começo de "Quanto mais quente melhor", que passa hoje marcando o anúncio de uma nova exposição fotográfica sobre Marilyn Monroe, aqui em Sampa City.

A arte traz imortalidade...

Um comentário:

Adriano C. Tardoque disse...

Bom... A paixão para com a Jennifer Connelly você dividiu com mais um (milhão).
Realmente o velho-oeste, tão caro aos americanos era (e é) algumas vezes, um porre. Salvo a brilhante e incrível saga de Butch Cassidy and the Sundance Kid, com os incríveis Paul Newman (já saudoso) e Robert Redford. Sessão Coruja imperdível!
E como não falar de Poltergeist com o pânico que gerou em 11 de cada 10 crianças com a idéia de se olhar debaixo da cama... Bons tempos!