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1.9.10

Hephaestus!




Hefesto é o deus do fogo, do trabalho, dos ferreiros. E talvez o menos comentado de todos os doze grandes Deuses Olímpicos. Dia 23 de agosto foi o dia dedicado a Ele, e foi estranha a forma como este Deus se imiscuiu em tudo aquilo que fiz este mês.

Tudo surgiu quando eu pensava nos ciclopes. Havia acabado de ler pela enésima vez a descrição resumida das aventuras de Odisseu (também e mais popularmente chamado pelo nome latino Ulisses)onde ele cega o monstro que prendeu e aos poucos devorava sua tripulação. O ciclope Polifemo é apenas um de muitos de sua raça. A maioria trabalhava nas fornalhas sob os vulcões do mundo, comandados por um Deus.

Na fornalha que Hefesto fez com o monte Vesúvio (ou o Etna, conforme a versão) criou as mais fantásticas armas já vistas. O escudo e os raios de Zeus, o tridente de Poseidon, a armadura de Héracles e praticamente todos os instrumentos de poder dos Deuses. Como símbolo do esforço, Hefesto mostra seu valor através de sua obra mesmo tendo sofrido preconceito e humilhações de outros Deuses. Hefesto é descrito como feio e coxo, em um lugar onde todos são a perfeição.

Pouco a pouco, Hefesto fez cada um dos Deuses lhe deverem favores. Se vingou quando sua esposa Afrodite o traiu com Ares, Deus da guerra, e acabou se unindo a uma das três graças.

E embora Hefesto pouco apareça na maioria dos mitos, é por ser ele o único Deus que trabalha com uma equipe, que cria obras como as fantásticas criadas de metal que serviam em seu palácio de bronze e as já citadas armas e proteções de Deuses e SemiDeuses. Hefesto é o mais próximo dos humanos, e unir o poder sobre o fogo, a criatividade, a ciência e o trabalho é mais humano ainda.

Ares, quando consegue os favores de Afrodite, representa o garotão que está dando sopa quando o marido está afogando-se em trabalho? Ou Hefesto é aquele que trabalha demais por quem não o merece? Afrodite é uma mulher abandonada ou traidora?

Hefesto revela as mais poderosas criações humanas, o poder da persistência, do fogo que brota ao nosso redor e pode ser convertido em nossa ferramenta para galgar o Olimpo de nossas alegrias.

Ele é, sim, o Deus do fogo, do trabalho (também em equipe), do esforço. Ele nos traz a luz quando bate com seu martelo na forja e cria os raios. De sua sabedoria, ciência e força dependem os demais Deuses para operarem no plano dos mortais. Hefesto é o Deus que se manifestou para a criação da era da máquina, que trouxe o computador e as naves espaciais para o homem. Ao lado de Prometeu, um Titã, é o patrono daquilo que faz dos homens os senhores de si mesmos.

Basta que eles aprendam também que o trabalho é contrário à guerra.

2.1.10

Sci-Fi!



Arthur C. Clarke profetizou que em 2010 seria especialmente relevante para a humanidade. As duas superpotências, União Soviética e Estados Unidos, uniriam forças para investigar no espaço os estranhos fatos alienígenas passados na história anterior, a muito mais famosa "2001 - uma odisséia no espaço".
Quaaaaaá há há há há há!!!
No cinema, o segundo livro não foi usado para criar o roteiro do segundo filme. O filme "2010 - o ano em que faremos contato" só usa o ano do título literário. E agora que chegamos a 2010 nem podemos pensar que o finado Clarke é o culpado por esse futuro sem graça que está diante de nós. Ele mal viu 2001 decepcioná-lo!

É o seguinte: me enchi de futurico. Quero teleporte, viagens espaciais baratas, fusão atômica produtiva, um aeromóvel pessoal, visão de raio-X (controlável, pois não quero ficar como o protagonista do filme "O homem com visão de raio-x", que surta quando enxerga absolutamente toda a verdade do universo), download de aulas de língua e kung-fu direto no cérebro, robôs como a Rosie dos Jetsons, cubos concentradores de matéria, governo planetário unificado, utopia educativa, clonagem de dinossauro/dodô/lobo-da-tasmânia/pomba-migratória americana e cia, e claro, a Enterprise! Já estamos em um bom caminho: a África do Sul vai ter uma copa do mundo e não existe mais o Apartheid oficial lá. Clarke nem pensou nisso quando escreveu o livro...

Do futuro distópico já estou cheio. Estamos perto demais de "1984", "Admirável mundo novo", "O homem duplo", "Mad Max" e por aí vai.

Ao fim do ano de 2009 eu estava cheio de coisas a falar sobre como foi esse ano terrível que acabou com final feliz, mas quer saber de uma coisa? Não tou a fim de retrospectiva. Que venha o novo! Que venha o futuro! Em alguma outra ocasião, talvez eu fale de uma ou outra coisinha relevante do ano passado, mas será do mesmo modo como relembramos da revolução francesa: como história.

2010 pode não ser o ano em que entraremos em contato com uma espécie alienígena, mas torça para entrarmos em contato com a raça humana. Ela está escondida em algum lugar por aí na Terra, debaixo desses monstros tecnocratas incivilizados, destes alienados espaciais e interioranos, dos reacionários preconceituosos marcianos. A humanidade é a espécie nova a ser descoberta por todos nós nesse futuro que começou hoje.

E Vaos torcer para o Brasil não cair de novo naquele tempo de idade média em que a década começou.